sexta-feira, 4 de abril de 2008




40 anos de morte do Dr. Martin Luther King.
Grande homem!!!

Deixo aqui minha homenagem!

Dr. King fez esse discurso em 63, e me parece ainda tão vivo em algumas partes, algo que ainda faz parte da nossa realidade infelizmente.

Não a Opressão!!!

[4P]


EU TENHO UM SONHO
Discurso de Martin Luther King (28/08/1963)

"Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação.

Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros.
Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre.
Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação.
Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição.

De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes".

Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça.

Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo.
Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia.
Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial.
Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus.

Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre.

Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.

E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?"

Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.

Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.

Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.

Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.

Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.

Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.

Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.

Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.

"Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto.

Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos,

De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!"

E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro.

E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire.

Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York.

Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania.

Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado.

Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.

Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia.

Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee.

Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi.

Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.

E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro:

"Livre afinal, livre afinal.

Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."

terça-feira, 1 de abril de 2008

Forma
forma
forma

que se esquiva
por isso mesmo viva
no morto que a procura

a cor não pousa
nem a densidade habita
nessa que antes de ser
já
deixou de ser não será
mas é

forma
festa
fonte
flama
filme

e não encontrar-te é nenhum desgosto
pois abarrotas o largo armazém do factível
onde a realidade é maior do que a realidade

sexta-feira, 28 de março de 2008

Enquanto isso com nossos "hermanos"...

Depois de semanas de paralisação das atividades rurais, resta muito pouco à Argentina: os supermercados não têm carne, frango, pão ou leite. Nas ruas, quase não se vê trânsito. Nos campos não se vê os implementos de ferro usados para arar a terra, caminhões, lavradores trabalhando (já que estes estão bloqueando as estradas). Nas cozinhas do país não restam panelas (que estão sendo usadas em protestos noturnos, tanto nas praças do interior quanto nas ruas da capital). Nas granjas quase não restam galinhas - as quais vêm morrendo às centenas devido à crise no abastecimento de seu principal alimento, o milho. E no Ministério da Economia, quase não há ministro (nos jornais e nas rádios, a única coisa que se discute quanto a isso é a data exata em que o jovem Martín Lousteau deixará seu posto). Hoje, as únicas coisas que não há dificuldade para conseguir é notícias e confrontos, incerteza e aquele medo que começa a crescer quando as coisas deixam de ser previsíveis.

Os motivos de tamanho alvoroço têm uma base evidente: o aumento nas retenções financeiras sobre as exportações de grãos decretado pela presidente Cristina Fernández de Kirchner e definido em termos de detalhes pelo ministro Louseau. (A preços atuais, as novas normas elevariam a 40% a alíquota do imposto sobre a soja argentina exportada.) A nova norma não abria quaisquer exceções, e se aplicava igualmente a um fazendeiro que explorasse propriedade mil hectares e a ao pequeno agricultor que cultiva 35 hectares. Grandes empresários dos agronegócios e pequenos fazendeiros estão sujeitos ao mesmo tratamento - aí, possivelmente, uma das chaves da questão.

O que são exatamente as retenções? Desde 2002, o governo vem cobrando impostos pela exportação de bens agropecuários, e nos últimos anos tem elevado a alíquota desses tributos, enquanto subiam os preços internacionais das matérias-primas. Essas retenções, que se aplicam igualmente aos combustíveis e aos minerais, representam 10% da arrecadação total do Estado. A influência das exportações oriundas dos campos argentinos é determinante: em 2007, elas responderam por 52% do total de vendas do país no exterior. Alguns outros dados reforçam essa interpretação: a Argentina é o maior exportador mundial de farinha e azeite de soja, o segundo fornecedor mundial de milho, o terceiro se sementes oleaginosas e o quarto de trigo e carne.

Cinco anos de crescimento econômico sustentado, de pelo menos 8% ao ano, não bastaram para deter essa explosão. Cerca de 100 mil pequenos agricultores cortaram as estradas dos pais e impediram a passagem dos caminhões que transportam leite, cereais, carne e alimentos. De suas casas, os ruralistas mais acomodados e as grandes empresas de comércio de sementes apoiaram os protestos. O governo nacional imaginou que os protestos, nascidos em terras tão distantes, não se expandiriam, dado o desgaste imposto pela passagem do tempo e pelos prejuízos econômicos que afligiriam as pessoas que optassem por deixar de trabalhar para sair à rua em protesto. Mas não foi isso o que aconteceu. E o discurso da presidente Fernández em 25 de março bastou para fazer o resto. A presidente demonstrou inflexibilidade, declarou que não aceitaria extorsão, e agrediu verbalmente os milhares de manifestantes que estavam nas ruas e nas centenas de milhares de telespectadores que assistiam ao discurso pela TV. "Esses são os piquetes da abundância", disse Cristina Kirchner, e os aplausos foram estrondosos na sede do governo. Do lado de fora, fora, porém, a indignação se espalhou como fogo em um rastro de pólvora.

Os cortes de estradas, que antes não chegavam a 50, logo ultrapassaram a marca dos 100 apenas na província de Buenos Aires (o total nacional ultrapassava os 200). Os moradores do campo tiveram de se impor nas estradas: houve tentativas de forçar os bloqueios, brigas, uso de gás lacrimogêneo e em determinados momentos até disparos de armas de fogo. Muitos dos caminhoneiros comandados pelo líder da central sindical CGT, Hugo Moyano, resistiram à detenção de seus veículos, e ainda mais à perspectiva de dormir na beira da estrada por alguns dias. Nas cidades do interior, a classe média saiu às ruas, de noite, para manifestar seu repúdio. Na capital, os manifestantes chegaram à Plaza de Mayo e tiveram de suportar os golpes de Luis D¿Elia, um piqueteiro com escritórios em um ministério nacional, e sua força de choque de militantes do partido. Com o passar das horas, a tensão cresceu a ponto de legisladores e governantes regionais peronistas terem decidido pedir ao governo que promova o diálogo. O país está paralisado. Ninguém sabe quando a Argentina voltará a funcionar.

Terra Magazine conversou com alguns dos homens e mulheres que saíram às ruas, e que continuam nas ruas, em apoio às queixas do campo, e recolheu seus depoimentos. Eis os protestos, em primeira pessoa:

Maria Monserrat Ibáñez, 45, estava com a panela na mão em uma esquina da avenida Santa Fe, no Barrio Norte, às 22h de um dia de semana. "Quero um país digno e um governo que não seja boquirroto. Especialmente se encabeçado por uma mulher que se tornou dona da Patagônia à custa de tanto roubar. Não tenho relacionamento algum com os pequenos agricultores: a única terra que tenho é a dos vasos que tenho na sacada do apartamento".

Raúl Victores, presidente da Sociedade Rural de San Pedro, à beira da rodovia 9, em uma tarde de sol sinistro e poucos dias antes da data marcada para uma cirurgia cardíaca - que ele teve de adiar por motivos evidentes: "Estão querendo apagar o fogo com gasolina. Não vivemos de presentes, vivemos de esforço. As pessoas estão se enfurecendo, e não vamos conseguir controlar as bases".

Armando Fernández, apoiado por sobre o capô de uma caminhonete que barrava a avenida Callao ao tráfego de veículos, na noite da quarta-feira: "Não vou à praça porque não quero ter de enfrentar D'Elia e seus capangas pagos. Há muitas mentiras: nós pagamos 3,50 pesos por litro de diesel, e o dólar para o campo não vale três pesos, mas 1,80".

Lisando Gordó, engenheiro agrônomo, 22, à beira da rodovia 9, em San Pedro: "Olhe as pessoas. Não temos oligarcas, aqui. Ninguém está aqui porque quer. Ninguém gosta de agir assim. Mas o governo quer ser nosso sócio nas horas boas enquanto nas más nunca aparece. Não se trata só das retenções. Elas foram apenas a gota d¿água que fez transbordar a insatisfação. Temos de discutir o modelo de país que desejamos. Com o dinheiro das retenções, seria preciso industrializar o país. E quem não entende do assunto não deveria falar da soja: foi ela que permitiu o desenvolvimento das áreas mais remotas do interior, nos últimos anos".

Néstor Roulet, vice-presidente das Confederações Rurais Argentinas, em meio a uma forte discussão com caminhoneiros em um tribunal da província de Córdoba, onde mil caminhões estavam paralisados. "As brigas e confrontos são todos boatos. Mas uma coisa é certa: a situação é quente".

Matías Saizar, dirigente rural em Gualeguay, no trevo de entrada para a cidade, onde confluem as rodovias 12 e 16, a apenas 70 quilômetros do acampamento de caminhoneiros de Moyano. "Primeiro promovemos o corte da doçura, no qual distribuíamos aos motoristas doces e um panfleto que explica nossa posição; depois, o corte da música, com a ajuda dos músicos da cidade; agora, estamos entregando pombas para que as levem à presidente, com o intuito de informá-la de que só queremos paz".

quinta-feira, 27 de março de 2008

Boa tarde!

Hoje, dia 27 de março, é o dia internacional do teatro e do circo. Aproveitando a data, o Redemoinho, que é um movimento nacional de grupos teatrais, preparou ações, manifestações e passeatas em todo o Brasil. Durante os eventos será lançada a “CARTA DE PORTO ALEGRE”. Essa carta-manifesto foi assinada por vários grupos de teatro de todo o país e oficializa a proposição da Lei Prêmio Teatro Brasileiro, uma alternativa à Lei Rouanet. Com isso os grupos estão “opondo-se claramente a Rouanet e a seu mecanismo de privatização dos recursos públicos" e propondo a retirada das decisões pelos departamentos de marketing das empresas privadas sobre o que tem ou não valor cultural .




MANIFESTO REDEMOINHO

"Acreditamos que Cultura é uma construção coletiva, que se projetando na história almeja entender a Arte, e em particular o Teatro, como um bem simbólico localizado no tempo e no espaço. Entendemos as nossas criações como um pensamento em construção que objetiva a constituição de uma sociedade humanista.

A Cultura esvaziada de pensamento, estruturada pela visão política que tem no marketing o seu fundamento, é o que alimenta na sociedade a competição, a concentração de renda, o preconceito, a privação dos direitos elementares do cidadão e a manutenção do status quo.

Não compete à Arte dar o pão, nem forjar pseudo-inclusões sociais através de políticas públicas que acreditam propiciar a inclusão e a contenção da insatisfação social. À Arte compete apontar para além dos limites impostos pela dura realidade, na tentativa de buscar novos caminhos para a política e para o homem.

Sob esse olhar, a Cultura é uma questão prioritária do Estado por fundamentar o exercício crítico da cidadania na construção de uma sociedade democrática. Há anos, diversos grupos e companhias de teatro vêm desenvolvendo trabalhos que visam tecer novas relações sociais e humanas entre a Arte e a sociedade.

Ao dotarmos a nossa prática artística de uma função social, não reivindicamos privilégios ou benesses. Reafirmamos a necessidade da criação de condições sociais, políticas e econômicas para a construção de um país que alimente a utopia de uma sociedade na qual a Arte e a Cultura sejam compreendidas como reafirmação da vida."

www.redemoinho.org


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Quinta feira de Sol!!!


=)

terça-feira, 25 de março de 2008



Obra de Hassis. Linda arte!

Ao som de: Art Peper - Angel wings.

Pra quem curte um Jazz ta ai minha dica!!!

Album: Art Peper.

quinta-feira, 20 de março de 2008




Quando era criança cheguei a ir na Farra do Boi, hoje é proibido mais todo mundo PROIBI o que é diferente... Sou contra a tortura de animais, Mais colocar um boi em uma mangueira e faze-lo correr atrás de uma pessoa é divertido...
Saudades do tempo de infância!!!


Farra da hipocrisia - Maicon Tenfen.

Sou contra a farra do boi. Um dia vi uma reportagem a respeito do tema, na TV, e resolvi ser contra. Foi uma decisão automática, quase inconsciente, não houve dilema ou mesmo hesitação. Já que nasci e cresci a dezenas de quilômetros do Litoral, a farra do boi nunca significou nada para mim. "Cambada de arruaceiros!", pensei, e com isso atingi um novo patamar de civilidade. Depois de proferir um discurso desaprovando a exploração e os maus-tratos em cima dos coitadinhos dos bichinhos, pedi à mamãe que me alcançasse a travessa de carne.

Na época dos nossos avós, ninguém se preocupava muito com a farra do boi. De uns tempos pra cá, no entanto, começamos a nos indignar com fúria crescente. Por quê? Ainda que o desenvolvimento das comunicações e a observância aos direitos dos animais tenham a ver com a resposta, há questões maiores por trás de nossos protestos. Em pouquíssimos anos, praticamente da noite para o dia, passamos a integrar um novo mundo, uma nova ordem, um novo padrão de costumes que não deixa mais espaço para "bestialidades regionais" como a farra do boi.

Esse novo mundo tem muitos nomes. O mais conhecido é globalização. Nele não existem cidadãos, apenas consumidores padronizados. Tudo que é diferente deve ser suprimido em nome de uma falsa harmonia que nos leva aos shoppings e nos faz vibrar com as reprises de Friends. A quem a Justiça deve ouvir, portanto? A nós, consumidores certinhos e cheios de indignação, ou a eles, farristas descalços e truculentos? A nós, é claro, que pergunta boba! Se as leis realmente fossem iguais para todos, a Festa do Peão de Barretos seria combatida com a mesma energia empregada contra a farra do boi.

Mas Barretos - que é isso, gente? - Barretos é uma grife, movimenta milhões de dólares, quem vai se preocupar com as virilhas de um touro fedorento quando alguém consegue criar uma linha interessante de consumo? Trocando em miúdos, a abominável farra do boi torna-se ainda mais abominável porque é uma festa da ralé que não tem patrocinador oficial. Sugiro que continuemos exigindo providências às autoridades - em especial para casos como o do vereador de Bombinhas - , mas também sugiro que sejamos mais parcimoniosos em nossas exaltações de repúdio a esse costume inaceitável (para a economia globalizada) de alguns de nossos conterrâneos do Litoral.

Em quase todas as catilinárias contra a farra do boi, percebo uns tiques moralistas que, tal como querem os senhores do consumo, insistem em dividir o mundo entre os bonzinhos e os malvadinhos. Nunca ouvi ninguém propor educação, esporte e lazer para os ex-farristas. Repito que sou contra a farra do boi. Sou também contra a hipocrisia.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Em meio toda essa confusão entre Colombia e Equador...
Segue texto escrito por nosso memorável escritor blumenauense Maicon Tenfen sobre a pesquisa das Células Tronco.


Sete perguntas à Dona Igreja

Hoje o Supremo Tribunal Federal votará a validade constitucional (ou não) da Lei de Biossegurança, que permite pesquisas com células-tronco de embriões humanos armazenados em clínicas de fertilização. É útil lembrar que o texto da lei, além de prever a autorização expressa dos doadores, é explícito ao restringir a utilização dos embriões, que precisam estar inválidos para a gestação e congelados há mais de três anos. A lei foi barrada porque encontrou adversários poderosos no meio do caminho: a Igreja Católica e seus simpatizantes nas esferas política e jurídica do Estado brasileiro. Independente do resultado da votação de hoje, gostaria de fazer algumas perguntas à Dona Igreja, essa distinta e milenar senhora que, ninguém duvida, goza de considerável prestígio e influência no futuro do nosso país:

1) "Escolhe, pois, a vida" é o slogan da Campanha da Fraternidade de 2008. A senhora realmente acredita que incentivar pesquisas destinadas a curar enfermidades como a leucemia e a doença de Parkinson é uma escolha pela opção morte? Não se trata de uma velha rixa com sua vizinha, a Dona Ciência?

2) Na sua opinião, existe diferença entre pesquisar embriões e permitir que eles sejam jogados no lixo?

3) Se a senhora conseguir interditar as pesquisas com células-tronco no Brasil, parece que o mesmo não acontecerá em países como a Austrália e a Inglaterra. Num futuro próximo, o que a senhora dirá a seus seguidores pobres que, em caso de doença na família, não terão condições de viajar ao exterior e bancar um tratamento de saúde milionário?

4) A senhora ajudará o Ministério da Saúde a pagar os royalties necessários à importação de uma biotecnologia que nossos cientistas poderiam estar desenvolvendo aqui?

5) A senhora permitirá que bispos e padres enfermos se tratem com medicamentos desenvolvidos a partir de pesquisas com células-tronco?

6) Segundo pesquisa feita pelo Ibope por encomenda do grupo Católicas pelo Direito de Decidir, 95% dos católicos entrevistados concordam que apoiar pesquisas com células-tronco embrionárias para tratamento e recuperação de pessoas com doenças graves é uma atitude em defesa da vida. O que a senhora tem a dizer a essas pessoas?

7) Sou Católico Apostólico Romano. Minhas perguntas, portanto, estão sendo feitas "de dentro" da Instituição. A senhora vai me excomungar?



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Paz e Luz !