Hoje pela tarde eu tive a infelicidade de receber o seguinte e-mail:
Uma mulher negra havia ido passear com seu recém-nascido. Quando entrou no onibus logo abriu a janela, pois estava fazendo 40 graus. Neste momento entra um bêbado e senta ao seu lado.
O bêbado repara na mulher que pega uma revista para abanar a criança. Já naum aguentando mais assistir aquela cena, o bebado olha pra mulher e diz:
-Tá ruim, hein?
Olha pra outro passageiro e diz:
-Tá ruim, hein?
Retorna o olhar na direçao da negra dizendo novamente:
-Tá ruim, hein?
A mulher perde a paciencia e pergunta:
-Ta ruim o que moço?
E ele:
-Tá ruim desse carvão pegar fogo!
___
Eu não tenho nem o que falar sobre... ^^
O que me deixou feliz foi que na mesma hora eu respondi este e-mail com cópia para todos que tb haviam o recebido e com grande espanto recebi vários outros e-mails das pessoas se expressando contra esse e-mail e falando da ignorancia do mesmo!!!
Apenas uma pessoa se manifestou dizendo que achou engraçado... Coitado né?
___
Salve, meus irmãos africanos e lusitanos, do outro lado do oceano
"O Atlântico é pequeno pra nos separar, porque o sangue é mais forte que a água do mar"
Racismo, preconceito e discriminação em geral;
É uma burrice coletiva sem explicação
Afinal, que justificativa você me dá para um povo que precisa de união
Mas demonstra claramente
Infelizmente
Preconceitos mil
De naturezas diferentes
Mostrando que essa gente
Essa gente do Brasil é muito burra
E não enxerga um palmo à sua frente
Porque se fosse inteligente esse povo já teria agido de forma mais consciente
Eliminando da mente todo o preconceito
E não agindo com a burrice estampada no peito
A "elite" que devia dar um bom exemplo
É a primeira a demonstrar esse tipo de sentimento
Num complexo de superioridade infantil
Ou justificando um sistema de relação servil
E o povão vai como um bundão na onda do racismo e da discriminação
Não tem a união e não vê a solução da questão
Que por incrível que pareça está em nossas mãos
Só precisamos de uma reformulação geral
Uma espécie de lavagem cerebral
Racismo é burrice
Não seja um imbecil
Não seja um ignorante
Não se importe com a origem ou a cor do seu semelhante
O quê que importa se ele é nordestino e você não?
O quê que importa se ele é preto e você é branco
Aliás, branco no Brasil é difícil, porque no Brasil somos todos mestiços
Se você discorda, então olhe para trás
Olhe a nossa história
Os nossos ancestrais
O Brasil colonial não era igual a Portugal
A raiz do meu país era multirracial
Tinha índio, branco, amarelo, preto
Nascemos da mistura, então por que o preconceito?
Barrigas cresceram
O tempo passou
Nasceram os brasileiros, cada um com a sua cor
Uns com a pele clara, outros mais escura
Mas todos viemos da mesma mistura
Então presta atenção nessa sua babaquice
Pois como eu já disse racismo é burrice
Dê a ignorância um ponto final:
Faça uma lavagem cerebral
Racismo é burrice
Negro e nordestino constróem seu chão
Trabalhador da construção civil conhecido como peão
No Brasil, o mesmo negro que constrói o seu apartamento ou o que lava o chão de uma delegacia
É revistado e humilhado por um guarda nojento
Que ainda recebe o salário e o pão de cada dia graças ao negro, ao nordestino e a todos nós
Pagamos homens que pensam que ser humilhado não dói
O preconceito é uma coisa sem sentido
Tire a burrice do peito e me dê ouvidos
Me responda se você discriminaria
O Juiz Lalau ou o PC Farias
Não, você não faria isso não
Você aprendeu que preto é ladrão
Muitos negros roubam, mas muitos são roubados
E cuidado com esse branco aí parado do seu lado
Porque se ele passa fome
Sabe como é:
Ele rouba e mata um homem
Seja você ou seja o Pelé
Você e o Pelé morreriam igual
Então que morra o preconceito e viva a união racial
Quero ver essa música você aprender e fazer
A lavagem cerebral
Racismo é burrice
O racismo é burrice mas o mais burro não é o racista
É o que pensa que o racismo não existe
O pior cego é o que não quer ver
E o racismo está dentro de você
Porque o racista na verdade é um tremendo babaca
Que assimila os preconceitos porque tem cabeça fraca
E desde sempre não pára pra pensar
Nos conceitos que a sociedade insiste em lhe ensinar
E de pai pra filho o racismo passa
Em forma de piadas que teriam bem mais graça
Se não fossem o retrato da nossa ignorância
Transmitindo a discriminação desde a infância
E o que as crianças aprendem brincando
É nada mais nada menos do que a estupidez se propagando
Nenhum tipo de racismo - eu digo nenhum tipo de racismo - se justifica
Ninguém explica
Precisamos da lavagem cerebral pra acabar com esse lixo que é uma herança cultural
Todo mundo que é racista não sabe a razão
Então eu digo meu irmão
Seja do povão ou da "elite"
Não participe
Pois como eu já disse racismo é burrice
Como eu já disse racismo é burrice
Racismo é burrice
E se você é mais um burro, não me leve a mal
É hora de fazer uma lavagem cerebral
Mas isso é compromisso seu
Eu nem vou me meter
Quem vai lavar a sua mente não sou eu
É você.
terça-feira, 19 de agosto de 2008
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
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Salvador, 30 de abril de 1914 — Rio de Janeiro, 16 de agosto de 2008.
"O Dorival é um gênio. Se eu pensar em música brasileira, eu vou sempre pensar em Dorival Caymmi. Ele é uma pessoa incrivelmente sensível, uma criação incrível. Isso sem falar no pintor, porque o Dorival também é um grande pintor. Tom Jobim".
Amanhece,preciso ir
Meu caminho é sem volta e sem ninguém
Eu vou prá onde a estrada levar
Cantador só sei cantar
Ah! eu canto a dor
Canto a vida e a morte,canto o amor
Cantador não escolhe o seu cantar
Canta o mundo que vê
E pro mundo que vi meu canto é dor
Mas é forte prá espantar a morte
Prá todos ouvirem minha voz
Mesmo longe
De que servem meu canto e eu
Se em meu peito há um amor que não morreu
Ah! se eu soubesse ao menos chorar
Cantador só sei cantar
Ah! Eu canto a dor
De uma vida perdida sem amor.
Axé!!
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
AFRO-DESCENDENTE, COM ORGULHO!
Escrevemos este texto sob o impacto, profundamente negativo, do artigo “Visita à ‘terra dos negros” publicado nesta página. E o fazemos para demonstrar, em poucas linhas, que, se o indivíduo afro-brasileiro e o brasileiro em geral conhecesse um pouquinho de História da África e da afro-descendência, no Brasil e no mundo, ninguém se surpreenderia ou horrorizaria ao visitar a África de hoje, notadamente aquela parte do continente mais atingida pelo genocídio iniciado com a chegada dos europeus no século 15.
Quem se dispuser a conhecer um pouco dessa tragédia saberá que a mesma Humanidade que, hoje, justificadamente se extasia diante de um Michelangelo também há de se tocar com a beleza naturalista dos bronzes de Ifé e Benin, obras de autores africanos cujos nomes, infelizmente a História não registrou – talvez como recurso para atribuir a extrema beleza dessas obras a artistas europeus, como já se tentou fazer sem sucesso. Como compreenderá também, por mero exemplo, a grandeza artística dos negro spirituals, canções que, segundo a melhor musicologia, produzem seu indescritível efeito pelo emprego de uma escala ( pentatônica) completamente diversa das convencionais seqüências de tons maiores e menores da música ocidental, e desconhecida na Europa até pelo menos o século 19.
Da mesma forma, quem, em busca de conhecimento, for além do que hoje, no Brasil, oferecem as universidades e as listas de best-sellers, vai saber que, bem antes de Alexandre, no século 15 AC, o negro Tutmés III, príncipe núbio (filho bastardo que Tutmés II levou para a corte faraônica), quando no poder, estendeu seus domínios até a Ásia, inaugurando a era do imperialismo egípcio. Com ele, o Estado egípcio atingiu o maior momento de sua expansão territorial, subjugando povos e reinos até a Mesopotâmia, chegando, mesmo, à Europa mediterrânea. Assim, até as vésperas de sua morte, todos os reinos das margens do Eufrates à quarta catarata do Nilo, eram seus tributários. Cerca de 700 anos após esse Tutmés, uma dinastia de reis núbios, negros portanto, tomou o Egito, governando-o por cerca de 90 anos. Esse período inicia-se com o faraó Piye-Piankhi, o qual, liderando uma revolução nas artes de na cultura e, após unir as civilizações do Vale do Nilo, restaurou templos e monumentos, transferindo a capital de Tebas para Napata, no atual Sudão. Noutra dimensão histórica e geográfica, vamos ver que, antes de Cristóvão Colombo, Abubakar II, imperador do Mali, adentrou o Atlântico com cerca de duzentas embarcações de pesca e chegou ao México atual, por volta de 1312.
Na mesma medida, é preciso mostrar que a Ciência que pauta seu saber pelos ensinamentos de Platão, discípulo do egípcio Chonoupis; de Sócrates, que estudou na cidade egípcia de Busíris; e de Aristóteles ( “os que são excessivamente negros são covardes e isso se aplica aos egípcios e etíopes”, disse ele) ou mesmo pelos ensinamentos do Eclesiastes bíblico, igualmente inspirado na filosofia kemética (do antigo Egito); essa Ciência talvez também pudesse guiar-se, acaso a conhecesse, pela visão de mundo contida no conjunto de muitos milhares de parábolas enfeixadas no corpo de ensinamentos do oráculo iorubano de Ifá. E mais: os que ainda acreditam que Hipócrates foi o “pai da medicina” certamente nunca ouviram falar no egípcio Imhotep. Como os admiradores de Napoleão seguramente nunca souberam do zulu Chaka, o comandante africano mais temido pelo imperialismo europeu no século 19, por força das inovações, estratégias e armamentos que criou, até sua morte em 1828. Da mesma forma que até mesmo os cristãos mais esclarecidos certamente não sabem que o orixá Ogum é venerado, na África e nas Américas, por ser a divindade da tecnologia (que ensinou os homens a domarem o ferro), dos negócios militares, do trabalho e, conseqüentemente, da prosperidade e da saúde.
Finalizando este texto, sob a inspiração de W.E.B. Dubois, André Rebouças, Abdias do Nascimento, Milton Santos, e outros não menos, perguntamos: o que seria da música popular que se consome hoje em escala planetária se não fosse a arte musical criada pelos afro-descendentes nos Estados Unidos, no Caribe e no Brasil?
É por tudo isso que não nos consideramos “brasileiro negro” nem “negro brasileiro”. Somos, sim, com muito orgulho da ancestralidade que cultuamos, um afro-descendente, integrante de uma maioria etnocultural num país em que, por razões que muita gente esclarecida ignora ou finge ignorar, uma parcela minoritária da população detém o poder político e econômico e manipula o conhecimento, desde sempre. E a essa minoria é mais conveniente ensinar aos jovens, nas escolas, que a proposta de se estudar a África, “terra dos negros”, é uma “declaração de ignorância”.
Escrevemos este texto sob o impacto, profundamente negativo, do artigo “Visita à ‘terra dos negros” publicado nesta página. E o fazemos para demonstrar, em poucas linhas, que, se o indivíduo afro-brasileiro e o brasileiro em geral conhecesse um pouquinho de História da África e da afro-descendência, no Brasil e no mundo, ninguém se surpreenderia ou horrorizaria ao visitar a África de hoje, notadamente aquela parte do continente mais atingida pelo genocídio iniciado com a chegada dos europeus no século 15.
Quem se dispuser a conhecer um pouco dessa tragédia saberá que a mesma Humanidade que, hoje, justificadamente se extasia diante de um Michelangelo também há de se tocar com a beleza naturalista dos bronzes de Ifé e Benin, obras de autores africanos cujos nomes, infelizmente a História não registrou – talvez como recurso para atribuir a extrema beleza dessas obras a artistas europeus, como já se tentou fazer sem sucesso. Como compreenderá também, por mero exemplo, a grandeza artística dos negro spirituals, canções que, segundo a melhor musicologia, produzem seu indescritível efeito pelo emprego de uma escala ( pentatônica) completamente diversa das convencionais seqüências de tons maiores e menores da música ocidental, e desconhecida na Europa até pelo menos o século 19.
Da mesma forma, quem, em busca de conhecimento, for além do que hoje, no Brasil, oferecem as universidades e as listas de best-sellers, vai saber que, bem antes de Alexandre, no século 15 AC, o negro Tutmés III, príncipe núbio (filho bastardo que Tutmés II levou para a corte faraônica), quando no poder, estendeu seus domínios até a Ásia, inaugurando a era do imperialismo egípcio. Com ele, o Estado egípcio atingiu o maior momento de sua expansão territorial, subjugando povos e reinos até a Mesopotâmia, chegando, mesmo, à Europa mediterrânea. Assim, até as vésperas de sua morte, todos os reinos das margens do Eufrates à quarta catarata do Nilo, eram seus tributários. Cerca de 700 anos após esse Tutmés, uma dinastia de reis núbios, negros portanto, tomou o Egito, governando-o por cerca de 90 anos. Esse período inicia-se com o faraó Piye-Piankhi, o qual, liderando uma revolução nas artes de na cultura e, após unir as civilizações do Vale do Nilo, restaurou templos e monumentos, transferindo a capital de Tebas para Napata, no atual Sudão. Noutra dimensão histórica e geográfica, vamos ver que, antes de Cristóvão Colombo, Abubakar II, imperador do Mali, adentrou o Atlântico com cerca de duzentas embarcações de pesca e chegou ao México atual, por volta de 1312.
Na mesma medida, é preciso mostrar que a Ciência que pauta seu saber pelos ensinamentos de Platão, discípulo do egípcio Chonoupis; de Sócrates, que estudou na cidade egípcia de Busíris; e de Aristóteles ( “os que são excessivamente negros são covardes e isso se aplica aos egípcios e etíopes”, disse ele) ou mesmo pelos ensinamentos do Eclesiastes bíblico, igualmente inspirado na filosofia kemética (do antigo Egito); essa Ciência talvez também pudesse guiar-se, acaso a conhecesse, pela visão de mundo contida no conjunto de muitos milhares de parábolas enfeixadas no corpo de ensinamentos do oráculo iorubano de Ifá. E mais: os que ainda acreditam que Hipócrates foi o “pai da medicina” certamente nunca ouviram falar no egípcio Imhotep. Como os admiradores de Napoleão seguramente nunca souberam do zulu Chaka, o comandante africano mais temido pelo imperialismo europeu no século 19, por força das inovações, estratégias e armamentos que criou, até sua morte em 1828. Da mesma forma que até mesmo os cristãos mais esclarecidos certamente não sabem que o orixá Ogum é venerado, na África e nas Américas, por ser a divindade da tecnologia (que ensinou os homens a domarem o ferro), dos negócios militares, do trabalho e, conseqüentemente, da prosperidade e da saúde.
Finalizando este texto, sob a inspiração de W.E.B. Dubois, André Rebouças, Abdias do Nascimento, Milton Santos, e outros não menos, perguntamos: o que seria da música popular que se consome hoje em escala planetária se não fosse a arte musical criada pelos afro-descendentes nos Estados Unidos, no Caribe e no Brasil?
É por tudo isso que não nos consideramos “brasileiro negro” nem “negro brasileiro”. Somos, sim, com muito orgulho da ancestralidade que cultuamos, um afro-descendente, integrante de uma maioria etnocultural num país em que, por razões que muita gente esclarecida ignora ou finge ignorar, uma parcela minoritária da população detém o poder político e econômico e manipula o conhecimento, desde sempre. E a essa minoria é mais conveniente ensinar aos jovens, nas escolas, que a proposta de se estudar a África, “terra dos negros”, é uma “declaração de ignorância”.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Arte de Nestor:
http://www.flickr.com/photos/nestorjr
(A pedidos) Segue ai novamente a Programação do festival de Itajai...
Programação - Festival de Itajai.
- Maria Rita
Dia 6 de setembro (sábado)
Local: Centro Eventos, no Parque da Marejada
- Cláudio Dauelsberg - PianOrquestra
Dia 7 de setembro (domingo)
Local: Teatro Municipal de Itajaí
- Altamiro Carrilho
Dia 8 de setembro (segunda-feira)
Local: Teatro Municipal de Itajaí
- Barbatuques
Dia 9 de setembro (terça)
Local: Teatro Municipal de Itajaí
- Jair Rodrigues
Dia 10 de setembro (quarta)
Local: Teatro Municipal de Itajaí
- Roberto Menescal
Dia 11 de setembro (quinta)
Local: Teatro Municipal de Itajaí
- Zélia Duncan
Dia 12 de setembro (sexta)
Local: Teatro Municipal de Itajaí
- Roupa Nova
Dia 13 de setembro (sábado)
Local: show de rua, em bairro a definir
Mais informações: (47) 3348-3610 ou pela internet em festivaldemusicadeitajai@gmail.com
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
O teu riso
Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.
Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.
Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.
Pablo Neruda
__
Lindo!
Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.
Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.
Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.
Pablo Neruda
__
Lindo!
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Como é lindo esse movimento.. =)
Na Bahia, como em qualquer lugar do mundo, sempre aparecem nomes artísticos que incrementam a sua cena cultural. Muita coisa se repete e se movimenta dentro da lógica que comanda o mercado: vender rápido e ser descartável. Nas últimas décadas, nossa música girou (e ainda gira) na rodinha da chamada "axé music", que alavancou a indústria cultural baiana, produzindo emblemas que desembocaram em uma estrela pop com dimensões internacionais, ou melhor, estadunidenses: Ivete Sangalo. Mas para a glória do Senhor do Bonfim, além da nossa musicalidade carnavalesca, outros conceitos nos chegam e nos fazem respirar pela força da criatividade e da beleza.
Navegando mares de inspiração, altivez como intérprete, letras autorais e poéticas, melodia e harmonia tocantes, um jovem baiano, Tiganá Santana, 25 anos, surge com toques musicais proponentes de uma nova leitura da musicalidade feita na Bahia, vestido de referências africanas, íntimo do mundo dos inquices (como são chamados os orixás na cultura de origem banto), mesclando atabaque e flauta, sax e agogô, violão e berimbau; cantando em quicongo, ioruba, francês, inglês, árabe e, claro, português, o artista pode parecer um eclético cultor de neo-africanidades, uma mera cria do tropicalismo, uma repetição estética para ações afirmativas da política militante dos negros no Brasil, mesmo um pouco nisso tudo, ele vai além da agilidade conceitual que as mídias precisam para apresentar os "novos" e fazer com que os mesmos sejam inteligíveis aos seus olhos e aos dos grande público.
Na voz, Tiganá Santana, traz o veludo típico dos humanos negros, tematizando a sua espiritualidade, resgatando o deísmo de seus ancestrais, relendo a presença do feminino no mundo, melodiando palavras que compõem a vasta erudição de alguém que foi preparado por sua família, para enfrentar a carreira de diplomata, e inspirado pela musa música, resolveu desaguar sua arte.
Uma arte dedicada, sem delongas nem vergonha, à divindade. O artista se apresenta como veículo de uma musicalidade advinda dos "céus" e que se retro-alimenta da perspectiva de juntar humanos, aliviar o barulho nos ouvidos, balançar os corpos, reacender a esperança para isso que chamamos de coexistência. Sua música emana silêncio e aprende com outros mestres brasileiros e universais, tais como: Dorival Caymmi, Tom Jobim, João Gilberto, Cole Porter, Ali Farka Touré, Habib Koité, Egberto Gismonti e Pixinguinha.
Em suas últimas apresentações, em lugares aconchegantes na Cidade da Bahia, como o museu Palacete das Artes, o Teatro Gamboa Nova, a Praça Quincas Berro D'água, no histórico Pelourinho, Tiganá tem sido acompanhado pelos músicos Maurício Ribeiro (flauta e violão), Alexandra Pessoa e Antenor Cardoso (percussão), e já dividiu o palco várias vezes com a mais entusiasta do seu talento, Virgínia Rodrigues, que abriu seu último show em Nova Iorque e São Paulo cantando a canção Maçalê, uma espécie de oriki (poema sagrado iorubano) dedicado a Ogum, feito por Tiganá Santana em homenagem a um multi-artista baiano chamado Gilson Nascimento, e que deverá compor um dos próximos trabalhos da diva baiana, e diz assim:
Maçalê
És Maçalê...
com a bravura que há de ter um Maçalê...
quando firmas, no chão, mais que pés de negro.
Segues na quilha da dor,
mas não hás de fenecer...
nem um sonho a menos;
velarás por um canto que hás de ser...
Maçalê... és Maçalê...
porque fazes do olhar um olhar por merecer;
uma guerra de flor... uma flor de guerreiro...
Serás mão do teu senhor,
és teu próprio massapê...
Vês?! És Maçalê,
e não farás envelhecer, Maçalê,
o que o teu nome diz:
Ogunhê!
Segundo seu autor, Maçalê significa, em ioruba, você é um com seu orixá, promovendo a idéia de unidade entre o individuo e a "entidade" que ele traz no ori (cabeça) e garante seu eixo espiritual no dia a dia.
Um trabalho vinculado à sinceridade de quem se dedica a pesquisar música, compor, cantar, inscrito em projetos conceituais que se apresentem à Bahia e ao Brasil, como possibilidade de uma estética que traduz parte do povo baiano e, ao mesmo tempo, segue dialogando com produções musicais outras, espraiadas pelo planeta, que tocam e inspiram a criação do artista aqui em questão.
Santana nasceu em uma família negra de artistas e intelectuais, formou-se em filosofia pela Universidade Federal da Bahia, fala com fluência vários idiomas, além de se dedicar, como sacerdote visceral , ao culto do candomblé de "nação angola", de matriz cultural banto, exemplificando-se como um grande conhecedor desta expressão religiosa afro-brasileira, que por conta do nagocentrismo (valorização excessiva da tradição ioruba), na Bahia, é , por vezes, desvalorizada.
O lado autoral de Tiganá Santana como compositor, ratifica suas pesquisas sobre o legado cultural dos países da África Central, principalmente Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e redimensiona a marca sociolingüística deixada pelos congo-angolas na história do povo brasileiro.
Uma cria da ancestralidade afro-brasileira que faz música com integridade universal. Quebra rótulos, dificultando as facilidades que a recepção musical, neste estado e país, aprendeu a desenvolver por demandas mercadológicas. Um nome que se apronta para chegar, e que em seus ares de permanência, ilumina-se-nos no sabor que só a real criação pode oferecer.
Na Bahia, como em qualquer lugar do mundo, sempre aparecem nomes artísticos que incrementam a sua cena cultural. Muita coisa se repete e se movimenta dentro da lógica que comanda o mercado: vender rápido e ser descartável. Nas últimas décadas, nossa música girou (e ainda gira) na rodinha da chamada "axé music", que alavancou a indústria cultural baiana, produzindo emblemas que desembocaram em uma estrela pop com dimensões internacionais, ou melhor, estadunidenses: Ivete Sangalo. Mas para a glória do Senhor do Bonfim, além da nossa musicalidade carnavalesca, outros conceitos nos chegam e nos fazem respirar pela força da criatividade e da beleza.
Navegando mares de inspiração, altivez como intérprete, letras autorais e poéticas, melodia e harmonia tocantes, um jovem baiano, Tiganá Santana, 25 anos, surge com toques musicais proponentes de uma nova leitura da musicalidade feita na Bahia, vestido de referências africanas, íntimo do mundo dos inquices (como são chamados os orixás na cultura de origem banto), mesclando atabaque e flauta, sax e agogô, violão e berimbau; cantando em quicongo, ioruba, francês, inglês, árabe e, claro, português, o artista pode parecer um eclético cultor de neo-africanidades, uma mera cria do tropicalismo, uma repetição estética para ações afirmativas da política militante dos negros no Brasil, mesmo um pouco nisso tudo, ele vai além da agilidade conceitual que as mídias precisam para apresentar os "novos" e fazer com que os mesmos sejam inteligíveis aos seus olhos e aos dos grande público.
Na voz, Tiganá Santana, traz o veludo típico dos humanos negros, tematizando a sua espiritualidade, resgatando o deísmo de seus ancestrais, relendo a presença do feminino no mundo, melodiando palavras que compõem a vasta erudição de alguém que foi preparado por sua família, para enfrentar a carreira de diplomata, e inspirado pela musa música, resolveu desaguar sua arte.
Uma arte dedicada, sem delongas nem vergonha, à divindade. O artista se apresenta como veículo de uma musicalidade advinda dos "céus" e que se retro-alimenta da perspectiva de juntar humanos, aliviar o barulho nos ouvidos, balançar os corpos, reacender a esperança para isso que chamamos de coexistência. Sua música emana silêncio e aprende com outros mestres brasileiros e universais, tais como: Dorival Caymmi, Tom Jobim, João Gilberto, Cole Porter, Ali Farka Touré, Habib Koité, Egberto Gismonti e Pixinguinha.
Em suas últimas apresentações, em lugares aconchegantes na Cidade da Bahia, como o museu Palacete das Artes, o Teatro Gamboa Nova, a Praça Quincas Berro D'água, no histórico Pelourinho, Tiganá tem sido acompanhado pelos músicos Maurício Ribeiro (flauta e violão), Alexandra Pessoa e Antenor Cardoso (percussão), e já dividiu o palco várias vezes com a mais entusiasta do seu talento, Virgínia Rodrigues, que abriu seu último show em Nova Iorque e São Paulo cantando a canção Maçalê, uma espécie de oriki (poema sagrado iorubano) dedicado a Ogum, feito por Tiganá Santana em homenagem a um multi-artista baiano chamado Gilson Nascimento, e que deverá compor um dos próximos trabalhos da diva baiana, e diz assim:
Maçalê
És Maçalê...
com a bravura que há de ter um Maçalê...
quando firmas, no chão, mais que pés de negro.
Segues na quilha da dor,
mas não hás de fenecer...
nem um sonho a menos;
velarás por um canto que hás de ser...
Maçalê... és Maçalê...
porque fazes do olhar um olhar por merecer;
uma guerra de flor... uma flor de guerreiro...
Serás mão do teu senhor,
és teu próprio massapê...
Vês?! És Maçalê,
e não farás envelhecer, Maçalê,
o que o teu nome diz:
Ogunhê!
Segundo seu autor, Maçalê significa, em ioruba, você é um com seu orixá, promovendo a idéia de unidade entre o individuo e a "entidade" que ele traz no ori (cabeça) e garante seu eixo espiritual no dia a dia.
Um trabalho vinculado à sinceridade de quem se dedica a pesquisar música, compor, cantar, inscrito em projetos conceituais que se apresentem à Bahia e ao Brasil, como possibilidade de uma estética que traduz parte do povo baiano e, ao mesmo tempo, segue dialogando com produções musicais outras, espraiadas pelo planeta, que tocam e inspiram a criação do artista aqui em questão.
Santana nasceu em uma família negra de artistas e intelectuais, formou-se em filosofia pela Universidade Federal da Bahia, fala com fluência vários idiomas, além de se dedicar, como sacerdote visceral , ao culto do candomblé de "nação angola", de matriz cultural banto, exemplificando-se como um grande conhecedor desta expressão religiosa afro-brasileira, que por conta do nagocentrismo (valorização excessiva da tradição ioruba), na Bahia, é , por vezes, desvalorizada.
O lado autoral de Tiganá Santana como compositor, ratifica suas pesquisas sobre o legado cultural dos países da África Central, principalmente Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e redimensiona a marca sociolingüística deixada pelos congo-angolas na história do povo brasileiro.
Uma cria da ancestralidade afro-brasileira que faz música com integridade universal. Quebra rótulos, dificultando as facilidades que a recepção musical, neste estado e país, aprendeu a desenvolver por demandas mercadológicas. Um nome que se apronta para chegar, e que em seus ares de permanência, ilumina-se-nos no sabor que só a real criação pode oferecer.
terça-feira, 1 de julho de 2008
Lindo!!!
Quando, à noite, o Infinito se levanta
À luz do luar, pelos caminhos quedos
Minha táctil intensidade é tanta
Que eu sinto a alma do Cosmos nos meus dedos!
Quebro a custódia dos sentidos tredos
E a minha mão, dona, por fim, de quanta
Grandeza o Orbe estrangula em seus segredos,
Todas as coisas íntimas suplanta!
Penetro, agarro, ausculto, apreendo, invado,
Nos paroxismos da hiperestesia,
O infinitésimo e o Indeterminado...
Transponho ousadamente o átomo rude
E, transmudado em rutilância fria,
Encho o espaço com a minha plenitude!
Ao Luar de Augusto dos Anjos.
Quando, à noite, o Infinito se levanta
À luz do luar, pelos caminhos quedos
Minha táctil intensidade é tanta
Que eu sinto a alma do Cosmos nos meus dedos!
Quebro a custódia dos sentidos tredos
E a minha mão, dona, por fim, de quanta
Grandeza o Orbe estrangula em seus segredos,
Todas as coisas íntimas suplanta!
Penetro, agarro, ausculto, apreendo, invado,
Nos paroxismos da hiperestesia,
O infinitésimo e o Indeterminado...
Transponho ousadamente o átomo rude
E, transmudado em rutilância fria,
Encho o espaço com a minha plenitude!
Ao Luar de Augusto dos Anjos.
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