É som peixeiro nego!!! O Grupo Cultural Tarrafa Elétrica tocou suas primeiras notas no ano de 2003. Surgiu como opção para romper a barreira dos rotinei-ros covers e dar voz e ritmo a idéias que fervilhavam entre um grupo de amigos. Já nas primeiras composições a identificação com a cultura peixeira já se fazia presente. O próprio nome da banda veio para afirmar isso: Tarrafa , que remete a raiz de nossa cultura, e o Elétrica , que nos leva ao contemporâneo. Com essa proposta sonora o grupo seguiu. Buscado através de livros, contos, causos e conversas, ingredientes para temperar suas novas composições. Em novembro de 2004, graças à música “Seu Arildo” o grupo é convidado a participar de uma matéria no canal educativo Futura. A veiculação nacional da reportagem serviu como um grande incentivo, e logo no mês seguinte a banda começou a lancear suas redes sonoras por apresentações em toda a região. Foi em uma dessas que tiveram a honra de conhecer um dos grandes nomes da cultura de Itajaí, Seu Arnoldo “Cueca”, do Grupo de Boi-de-mamão e Dança Portuguesa de Cordeiros. Desse encontro surge uma parceria que revigora ainda mais o ideal de fortalecimento cultural que o grupo perseguia. Em Junho de 2005 é chegada a hora dos peixeiros romperem as fronteiras de Santa Catarina e aportar na capital de nosso país. Convidados para representar o município na Festa dos Estados, evento que reúne diferentes manifestações culturais tupiniquins, o grupo foi um dos destaques do estande de Santa Catarina cativando, junto com o Boi-de-mamão e demais atrações, um público estimado de 150 mil pessoas. Ao regressarem para casa os peixeiros tiveram uma agradável surpresa: a música “Seu Arildo” havia sido selecionada, entre 224 inscritos em todo o estado, para a II Mostra de Música Catarinense do SESC. O grupo nem teve tempo de arrumar as malas e partiu no dia 25 de julho para Florianópolis onde representou nosso município na grande noite de encerramento no Centro Integrado de Cultura (CIC). Desde então o grupo seguiu remando e levando a bandeira de nossa cultura adiante. Bombinhas, Balneário Piçarras, Joinville, Blu-menau, Itapema, Laguna, São Francisco do Sul, São Bento do Sul, Penha, Matinhos (PR), Porto Belo, Camboriú, Balneário Camboriú, Palhoça, São José, Barra Velha e Florianópolis. O som peixeiro esteve presente em todas essas localidades totalizando aproximada-mente 160 apresentações. A conclusão desse CD representa um novo marco na história da banda que agora almeja lancear suas redes sonoras por mares ainda não navegados.
www.myspace.com/tarrafaeletrica
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Quando foi imaginada, uma das prioridades da Lei do Patrimônio Vivo, em vigor em Pernambuco desde 2002, era garantir uma renda para que garantir a sobrevivência dos mestres populares e, consequentemente, a sua produção.
No caso de Camarão, mestre sanfoneiro de Recife, esse objetivo foi levado ao pé da letra:
- O incentivo do governo ajuda muito É com ele que pago meu plano de saúde – diz o Patrimônio Vivo de Pernambuco.
Uma das primeiras personalidades do estado a receber o título, Reginaldo Alves Ferreira tornou-se Mestre Camarão por conta de suas bochechas avermelhadas.
Durante um show para uma rádio local, o cantor Jacinto Silva brincou com as bochechas do cantor e, inadvertidamente, criou a alcunha que acompanharia Reginaldo pelo resto de sua vida.
Nascido em 1940, Mestre Camarão começou a tocar sanfona de oito baixos com sete anos. Acompanhava seu pai, o também sanfoneiro Antonio Neto, nas festas em que ele tocava.
Mais tarde, aperfeiçoou seu talento, tendo contato com muitos músicos reconhecidos, como Sivuca, Hermeto Pascoal e principalmente, Luiz Gonzaga, com quem gravou “Garoto do Grotão”. Foi Mestre Luz, aliás, quem produziu os dois primeiros álbuns da banda de Camarão, considerado o primeiro conjunto de forró do Brasil.
Mestre Camarão foi um dos pioneiros a introduzir no ritmo regional arranjos de sax, trompete e trombone.
Há cerca de quatro anos, passou um mês hospitalizado e perdeu os rins. Por conta disso, faz hemodiálise três vezes por semana, o que o impede de viajar.
Hoje, dedica-se principalmente a repassar o que sabe na Escola Acordeom de Ouro, criada por ele mesmo, onde ensina pessoas de 5 a 70 anos. A Escola fica no bairro de Areias, onde Camarão reside.
- Não tenho nem idéia do número de alunos que já tive. Tenho ex-alunos meus tocando por todo o país. Você mora em Salvador, não é? Sabe o cantor Ademário Coelho? Tem um aluno meu tocando com ele, o Marquinhos - afirma.
Transmitir seu conhecimento é um dos requisitos de possuir o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco – e de todas as outras leis voltadas à valorização dos mestres populares. Segundo Camarão, o título teve um impacto significativo em sua vida. “Mudou muita coisa. Você passa a ter um nome mais destacado, abrem-se os caminhos”, revela.
O Mestre, entretanto, avisa: esse reconhecimento não é para qualquer um.
- Se sou Patrimônio Vivo, é porque tenho uma bagagem de coisas feitas. Tem que ter realizações, tem que ter o que ensinar – pondera.
Foto: Acervo Fundarpe
No caso de Camarão, mestre sanfoneiro de Recife, esse objetivo foi levado ao pé da letra:
- O incentivo do governo ajuda muito É com ele que pago meu plano de saúde – diz o Patrimônio Vivo de Pernambuco.
Uma das primeiras personalidades do estado a receber o título, Reginaldo Alves Ferreira tornou-se Mestre Camarão por conta de suas bochechas avermelhadas.
Durante um show para uma rádio local, o cantor Jacinto Silva brincou com as bochechas do cantor e, inadvertidamente, criou a alcunha que acompanharia Reginaldo pelo resto de sua vida.
Nascido em 1940, Mestre Camarão começou a tocar sanfona de oito baixos com sete anos. Acompanhava seu pai, o também sanfoneiro Antonio Neto, nas festas em que ele tocava.
Mais tarde, aperfeiçoou seu talento, tendo contato com muitos músicos reconhecidos, como Sivuca, Hermeto Pascoal e principalmente, Luiz Gonzaga, com quem gravou “Garoto do Grotão”. Foi Mestre Luz, aliás, quem produziu os dois primeiros álbuns da banda de Camarão, considerado o primeiro conjunto de forró do Brasil.
Mestre Camarão foi um dos pioneiros a introduzir no ritmo regional arranjos de sax, trompete e trombone.
Há cerca de quatro anos, passou um mês hospitalizado e perdeu os rins. Por conta disso, faz hemodiálise três vezes por semana, o que o impede de viajar.
Hoje, dedica-se principalmente a repassar o que sabe na Escola Acordeom de Ouro, criada por ele mesmo, onde ensina pessoas de 5 a 70 anos. A Escola fica no bairro de Areias, onde Camarão reside.
- Não tenho nem idéia do número de alunos que já tive. Tenho ex-alunos meus tocando por todo o país. Você mora em Salvador, não é? Sabe o cantor Ademário Coelho? Tem um aluno meu tocando com ele, o Marquinhos - afirma.
Transmitir seu conhecimento é um dos requisitos de possuir o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco – e de todas as outras leis voltadas à valorização dos mestres populares. Segundo Camarão, o título teve um impacto significativo em sua vida. “Mudou muita coisa. Você passa a ter um nome mais destacado, abrem-se os caminhos”, revela.
O Mestre, entretanto, avisa: esse reconhecimento não é para qualquer um.
- Se sou Patrimônio Vivo, é porque tenho uma bagagem de coisas feitas. Tem que ter realizações, tem que ter o que ensinar – pondera.
Foto: Acervo Fundarpe
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
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O conflito entre Israel e o Hamas em Gaza:
Qual é a situação de Gaza?
O território, sob controle egípcio entre 1948 e 1967, foi ocupado por Israel há 41 anos. Em 2005, Israel retirou seus colonos e tropas de Gaza, mas manteve o controle das fronteiras terrestres e marítimas do território. Em 2007, depois que o grupo islâmico Hamas expulsou de Gaza os rivais do partido secular Fatah, Israel e Egito impuseram um bloqueio econômico à região
Por que o Hamas controla Gaza?
O grupo islâmico, contrário aos acordos entre Israel e as lideranças do Fatah, venceu as eleições legislativas de 2006 em Gaza e na Cisjordânia. A Cisjordânia está sob ocupação israelense desde 1967, com autonomia limitada exercida pela ANP (Autoridade Nacional Palestina), criada após os Acordos de Oslo com Israel, em 1993.
A eleição de 2006 dividiu a liderança palestina. O Hamas assumiu a chefia do gabinete, mas a Presidência da ANP continuou nas mãos de Mahmoud Abbas, do Fatah.
O gabinete dirigido pelo Hamas foi boicotado por Israel e as potências ocidentais. Abbas se recusou a ceder ao Hamas o comando das forças de segurança. A crise política resultou em conflito armado que levou à expulsão do Fatah de Gaza. Diálogo para um governo de união nacional, mediado por Qatar, fracassou sob pressão dos EUA
Por que a trégua entre Israel e o Hamas fracassou?
A trégua foi acertada em junho, por intermédio do Egito. Nenhum dos lados cumpriu estritamente seus termos. Foguetes continuaram a ser lançados de Gaza, embora de forma bem mais esporádica, e Israel não liberou o fluxo de mercadorias para a região.
A tensão recrudesceu depois de 4 de novembro, dia da eleição nos Estados Unidos, quando Israel bombardeou um túnel em Gaza que supostamente seria usado pelo Hamas para sequestrar soldados
Qual a posição dos países árabes no conflito?
Os governos árabes têm posição dúbia. A maioria apoia o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, contra o Hamas, temendo a influência do grupo sobre radicais em seus países. Mas sofre pressão popular para reagir a Israel. Apenas dois países árabes, Egito e Jordânia, têm relações diplomáticas com Israel. Em 2002, a Liga Árabe lançou a Iniciativa de Paz prometendo normalizar relações com Israel em troca da desocupação de Gaza, da Cisjordânia, de Jerusalém Oriental e das colinas sírias de Golã
Por que Israel decidiu atacar?
Há várias explicações. Oficialmente, o país visa enfraquecer a capacidade militar do Hamas. Mas há líderes israelenses que pregam a destruição do grupo ou a derrubada do seu governo em Gaza -o que pode ser o objetivo da invasão iniciada ontem. Analistas apontam pelo menos mais três razões para o ataque:
1) A proximidade das eleições gerais de 10 de fevereiro, na qual a atual coalizão de governo, de centro-direita, vinha sendo ameaçada pela ascensão da extrema direita, que defendia uma ofensiva dura contra o Hamas
2) A decisão do país de restabelecer seu poder de dissuasão, ameaçado pelo fracasso da guerra de 2006 contra o grupo xiita libanês Hizbollah. Tanto o Hizbollah quanto o Hamas, em menor grau, têm apoio do Irã, que Israel vê como seu principal inimigo
3) A proximidade da posse de Obama nos EUA. Obama vinha sendo instado a pressionar Israel a um acordo para a criação do Estado palestino em Gaza e na Cisjordânia, objetivo de negociações que se arrastam há 15 anos. Ao atacar o Hamas, Israel pretenderia continuar a impor seu ritmo às negociações
O que quer o Hamas?
O Hamas é misto de milícia, partido e instituição de caridade. A carta fundadora do grupo prega a destruição de Israel. Nos anos 90 e início desta década, o Hamas promoveu dezenas de atentados terroristas em Israel
Desde que aderiram à política formal, nas eleições palestinas de 2006, os dirigentes do Hamas têm sido dúbios. Uma oferta de "trégua prolongada" em 2007 foi vista como reconhecimento implícito de Israel. Há dúvidas sobre se, ao pressionar pela renegociação em termos mais favoráveis da trégua, o grupo esperava retaliação maciça
Qual é a perspectiva agora?
Israel invadiu Gaza 48 horas antes de a ONU discutir proposta de cessar-fogo monitorado; o futuro dependerá da dimensão do avanço israelense em terra
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Foi realmente uma falta de respeito o que aquele jornalista iraquiano fez com George Bush. Onde já se viu atirar um sapato na cara do presidente dos Estados Unidos? É ultrajante. Por que não atirou uma torta de chantilly, uma cobra de brinquedo ou um punhado de pulgas? Depois o bobalhão arremessou tão mal que deu tempo para o Bush desviar. Todo mundo viu quando o “coiso” se abaixou por trás do microfone – um movimento bem gingado, convenhamos – e logo voltou para a posição inicial com o sorriso de quem diz “ahá, seu otário, você errou!” Perder a oportunidade de nocautear um canalha desse quilate não tem outro nome: é uma bruta e injustificada falta de respeito com a comunidade mundial.
Para evitar que se repitam decepções do tipo, sugiro que de agora em diante os cursos de jornalismo incluam no currículo alguma disciplina que prepare os profissionais para arremessos mais precisos. Além dos aspectos físicos, será necessário um intenso condicionamento psicológico. Na frente de anti-cristos, bestas-feras e cancros da humanidade, tendemos a sentir medo e fraquejar, a oferecer ao alvo instantes de hesitação suficientes para que possa se esquivar e continuar rindo às nossas custas.
Modéstia à parte, nós escritores possuímos uma psiquê mais propícia a enfrentamentos do gênero. Como prova do que digo, cito o autor de livros infantis Yves Hublet e as bengaladas que aplicou no então deputado José Dirceu. Verdade que o ataque saiu meio torto; apesar da ponta de ferro, a bengala quase não causou estragos na cabeça do mensaleiro. Mesmo assim, foram golpes mais felizes que aquele sapato voando pelos ares.
Acho que todo governo em fim de mandato deveria passar por avaliação semelhante. Um presidente, um governador ou um prefeito se posicionariam diante de felizardos que poderiam optar entre dois arremessos iraquianos ou duas bengaladas hubletianas. Engana-se quem pensa num espetáculo de crueldade. O político ficaria livre para pular de um lado para outro e, a cada esquiva bem sucedida, teria o direito de imitar Bush e rir na cara do agressor. Em contrapartida, seria obrigado a agüentar tantas lambadas quantas fosse capaz de resistir em pé. Em caso de desmaio, o vice o substituiria até o fim da avaliação.
Só tem um detalhe: caso os sapatos ou as bengalas se percam no vazio, devemos evitar que o arremessador seja punido pelos pares. No caso do jornalista iraquiano, os próprios colegas o encheram de sopapos!
Para evitar que se repitam decepções do tipo, sugiro que de agora em diante os cursos de jornalismo incluam no currículo alguma disciplina que prepare os profissionais para arremessos mais precisos. Além dos aspectos físicos, será necessário um intenso condicionamento psicológico. Na frente de anti-cristos, bestas-feras e cancros da humanidade, tendemos a sentir medo e fraquejar, a oferecer ao alvo instantes de hesitação suficientes para que possa se esquivar e continuar rindo às nossas custas.
Modéstia à parte, nós escritores possuímos uma psiquê mais propícia a enfrentamentos do gênero. Como prova do que digo, cito o autor de livros infantis Yves Hublet e as bengaladas que aplicou no então deputado José Dirceu. Verdade que o ataque saiu meio torto; apesar da ponta de ferro, a bengala quase não causou estragos na cabeça do mensaleiro. Mesmo assim, foram golpes mais felizes que aquele sapato voando pelos ares.
Acho que todo governo em fim de mandato deveria passar por avaliação semelhante. Um presidente, um governador ou um prefeito se posicionariam diante de felizardos que poderiam optar entre dois arremessos iraquianos ou duas bengaladas hubletianas. Engana-se quem pensa num espetáculo de crueldade. O político ficaria livre para pular de um lado para outro e, a cada esquiva bem sucedida, teria o direito de imitar Bush e rir na cara do agressor. Em contrapartida, seria obrigado a agüentar tantas lambadas quantas fosse capaz de resistir em pé. Em caso de desmaio, o vice o substituiria até o fim da avaliação.
Só tem um detalhe: caso os sapatos ou as bengalas se percam no vazio, devemos evitar que o arremessador seja punido pelos pares. No caso do jornalista iraquiano, os próprios colegas o encheram de sopapos!
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Em uma carta a um conselheiro do império, datada de 30 de abril de 1856, Hermann Blumenau, o fundador da cidade hoje novamente devastada pelo força das águas, fala de uma grande enchente ocorrida em novembro de 1855 no Rio Itajaí-Açu (com o nível do rio subindo 15 metros em um dia e meio). A descrição da destruição e dos prejuízos causados pela cheia de meados do século 19 guarda muitas semelhanças com a tragédia ora em curso na região. O relato, publicado no livro Imigrantes 1748–1900: Viagens que Descobriram Santa Catarina, de Mariléa e Raimundo Caruso, publicado pela Editora da Unisul em 2007, impressiona:
“(...) No ano passado, reinava nestas paragens um tempo tão ruim, que apenas se tem lembrança de outro ano tão desventuroso desde que vieram para cá os homens brancos. A colheita do feijão em maio e das batatas inglesas em junho perderam-se inteiramente. Cheguei em julho no Desterro e em vez de uma viagem de seis dias, em tempos regulares, gastei um mês inteiro para chegar a esta colônia.
Este mau tempo continuou até meados de dezembro, havendo uma vez onze dias consecutivos, que não apareceu nem um só raio de sol. O prejuízo foi grande, tanto aos colonos como à minha pessoa, que me obrigou a coadjuvá-los com adiantamentos muito maiores do que podia calcular. Mas ainda tive que conservar o ânimo e a coragem perante os colonos, que às vezes queriam se desesperar (...).
(...) Menos de 36 horas foram suficientes para encher o rio (...), que alagou quase todos os seus barrancos e as casas neles estabelecidas, causando inúmeros males e prejuízos diretos, tanto na colônia quanto em todo o seu território habitado. Não se pode avaliar os prejuízos em menos de 60 até 80 contos de réis, antes mais do que menos. Das plantações de milho, feijão e batatas em todo o rio não ficou senão apenas 30% (...). Mandioca e cana-de-açúcar ficaram afogadas e apodreceram (...). A situação foi tristíssima em toda a parte, os mantimentos subiram a um preço enorme e para não ver os colonos perecerem de fome e perderem inteiramente o fruto de anos de trabalho (...), não houve remédio senão sustentá-los de novo com fortes adiantamentos.
Pessoalmente tive a lastimar ainda muitas outras perdas diretas: minha casa, em que moravam o meu guarda-livros e o jardineiro, construída numa bela ponta de terra, foi carregada pelo furor das águas, levando todo o seu conteúdo de livros, instrumentos, mercadorias e outras coisas de valor pecuniário, como muitos objetos de lembrança e recordação, que me foram muito caros e não serão restituídos. (...) Todos os meus títulos de terras se foram.
O meu guarda-livros por causa do domingo fora passear rio abaixo, para ver a sua prometida “Brant”, e o jardineiro fora se divertir, e ambos não voltaram por causa da chuva e tempestade incessante, senão depois da catástrofe, e também perderam quase todas as suas roupas e pertences. O jardim que cingia minha casa desapareceu quase completamente e com ele meu único recreio, ao qual me havia permitido.
Embora não sendo característica de meu temperamento, não pude deixar de chorar como uma criança, vendo a cena de destruição em toda a parte, no momento de minha chegada. Desde o meu retorno da Alemanha havia gastado bastante dinheiro e trabalho com imensa paciência e pena, para trazer a este sertão tudo o que podia alcançar de útil, interessante e belo do reino vegetal, tanto da Europa quanto do Rio e de Santa Catarina.
E, depois de muitas experiências perdidas, tinha conseguido enfim aclimatar aqui muitas plantas exóticas, árvores frutíferas e os mais belos arbustos de ornamento. O jardim foi belo e florescente com as mais belas rosas etc. Refugiava-me nele, quando me sentia cansado, triste e oprimido – e quando voltei, tudo estava desaparecido, havia apenas barrancos dilacerados e uma praia de areia.
Além dessas perdas maiores, sofri ainda diversas perdas de alcance menor. A morte de gado, destruição de ranchos e casas de abrigo para os colonos recém-chegados, mantimentos e indiretamente a necessidade de perdoar a quase todos os meus colonos os juros de suas dívidas etc., somando-se assim os meus prejuízos em 3 e meio a 4 contos de réis, antes mais do que menos.”
___
Diz a lenda que quando Sr. Otto chegou a Blumenau os índios que por aqui abitavam riam da cara dele, pois ele estava construindo a beira do rio. E os alemães ainda tinham coragem de chamar os índios de burros.
Agora quem é o burro?
Homem branco?
ou
Indios?
“(...) No ano passado, reinava nestas paragens um tempo tão ruim, que apenas se tem lembrança de outro ano tão desventuroso desde que vieram para cá os homens brancos. A colheita do feijão em maio e das batatas inglesas em junho perderam-se inteiramente. Cheguei em julho no Desterro e em vez de uma viagem de seis dias, em tempos regulares, gastei um mês inteiro para chegar a esta colônia.
Este mau tempo continuou até meados de dezembro, havendo uma vez onze dias consecutivos, que não apareceu nem um só raio de sol. O prejuízo foi grande, tanto aos colonos como à minha pessoa, que me obrigou a coadjuvá-los com adiantamentos muito maiores do que podia calcular. Mas ainda tive que conservar o ânimo e a coragem perante os colonos, que às vezes queriam se desesperar (...).
(...) Menos de 36 horas foram suficientes para encher o rio (...), que alagou quase todos os seus barrancos e as casas neles estabelecidas, causando inúmeros males e prejuízos diretos, tanto na colônia quanto em todo o seu território habitado. Não se pode avaliar os prejuízos em menos de 60 até 80 contos de réis, antes mais do que menos. Das plantações de milho, feijão e batatas em todo o rio não ficou senão apenas 30% (...). Mandioca e cana-de-açúcar ficaram afogadas e apodreceram (...). A situação foi tristíssima em toda a parte, os mantimentos subiram a um preço enorme e para não ver os colonos perecerem de fome e perderem inteiramente o fruto de anos de trabalho (...), não houve remédio senão sustentá-los de novo com fortes adiantamentos.
Pessoalmente tive a lastimar ainda muitas outras perdas diretas: minha casa, em que moravam o meu guarda-livros e o jardineiro, construída numa bela ponta de terra, foi carregada pelo furor das águas, levando todo o seu conteúdo de livros, instrumentos, mercadorias e outras coisas de valor pecuniário, como muitos objetos de lembrança e recordação, que me foram muito caros e não serão restituídos. (...) Todos os meus títulos de terras se foram.
O meu guarda-livros por causa do domingo fora passear rio abaixo, para ver a sua prometida “Brant”, e o jardineiro fora se divertir, e ambos não voltaram por causa da chuva e tempestade incessante, senão depois da catástrofe, e também perderam quase todas as suas roupas e pertences. O jardim que cingia minha casa desapareceu quase completamente e com ele meu único recreio, ao qual me havia permitido.
Embora não sendo característica de meu temperamento, não pude deixar de chorar como uma criança, vendo a cena de destruição em toda a parte, no momento de minha chegada. Desde o meu retorno da Alemanha havia gastado bastante dinheiro e trabalho com imensa paciência e pena, para trazer a este sertão tudo o que podia alcançar de útil, interessante e belo do reino vegetal, tanto da Europa quanto do Rio e de Santa Catarina.
E, depois de muitas experiências perdidas, tinha conseguido enfim aclimatar aqui muitas plantas exóticas, árvores frutíferas e os mais belos arbustos de ornamento. O jardim foi belo e florescente com as mais belas rosas etc. Refugiava-me nele, quando me sentia cansado, triste e oprimido – e quando voltei, tudo estava desaparecido, havia apenas barrancos dilacerados e uma praia de areia.
Além dessas perdas maiores, sofri ainda diversas perdas de alcance menor. A morte de gado, destruição de ranchos e casas de abrigo para os colonos recém-chegados, mantimentos e indiretamente a necessidade de perdoar a quase todos os meus colonos os juros de suas dívidas etc., somando-se assim os meus prejuízos em 3 e meio a 4 contos de réis, antes mais do que menos.”
___
Diz a lenda que quando Sr. Otto chegou a Blumenau os índios que por aqui abitavam riam da cara dele, pois ele estava construindo a beira do rio. E os alemães ainda tinham coragem de chamar os índios de burros.
Agora quem é o burro?
Homem branco?
ou
Indios?
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